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Boletim Informativo Nº 60
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TAVR vs cirurgia em pacientes de baixo risco: resultados de 6 anos do Evolut Low Risk Trial

Dr Felippe Augusto dos Santos


O Evolut Low Risk Trial avaliou a segurança e eficácia da troca valvar aórtica transcateter (TAVR) com prótese autoexpansível supra-anular em comparação com a troca valvar cirúrgica (SAVR) em pacientes com estenose aórtica grave sintomática e baixo risco cirúrgico (STS <3%). Foram incluídos 1.414 pacientes entre 2016 e 2019 (730 TAVR e 684 cirurgia), com seguimento planejado de 10 anos.


Em 6 anos, o desfecho composto de morte por qualquer causa ou AVC incapacitante ocorreu em 23,3% dos pacientes submetidos a TAVR e em 20,4% daqueles submetidos à cirurgia, sem diferença estatisticamente significativa (p=0,43). A mortalidade total foi
semelhante entre os grupos (23,3% vs 20,2%; p=0,24), assim como a mortalidade cardiovascular (11,1% vs 11,0%). Esses achados confirmam a manutenção da equivalência clínica previamente observada nos seguimentos de 2 a 5 anos.


Entre os desfechos secundários, observou-se maior necessidade de implante de marcapasso definitivo após TAVR (29,4% vs 13,4%), enquanto fibrilação atrial foi mais frequente após cirurgia (42,3% vs 18,1%). As taxas de endocardite protética foram baixas em ambos os grupos, com menor incidência após TAVR.


Um achado relevante desta análise foi o surgimento de um sinal tardio de maior necessidade de reintervenção valvar no grupo TAVR. Em 6 anos, a taxa de reintervenção foi numericamente maior após TAVR (5,5% vs 3,3%). Em análise exploratória com dados disponíveis até 7 anos, essa diferença tornou-se significativa (9,8% vs 6,0%; HR 1,68). A principal causa de reintervenção após TAVR foi regurgitação valvar, enquanto as taxas de reintervenção por estenose protética foram semelhantes entre as estratégias.


Análises exploratórias sugerem que parte desse sinal pode estar relacionada a lesão das cúspides protéticas associada à pós-dilatação com balões acima das recomendações atuais do fabricante, embora essa associação seja observacional.


Em síntese, os resultados de 6 anos confirmam que TAVR e cirurgia apresentam desfechos clínicos semelhantes em pacientes de baixo risco. Entretanto, o surgimento de maior taxa de reintervenção tardia após TAVR reforça a importância do seguimento prolongado e da seleção cuidadosa de pacientes, especialmente entre indivíduos mais jovens com maior expectativa de vida.

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